Retomar a vida associativa

O DIREITO A VIVER

Decorrido um ano em que foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a pandemia provocada pela COVID-19 e diagnosticados os primeiros casos em Portugal, vivemos tempos de incerteza, com todas as consequências sanitárias, económicas e sociais e das medidas impostas pelos sucessivos estados de emergência.

O MURPI através da sua Confederação alertou, em devido tempo, para a necessidade de serem tomadas medidas que minorassem os efeitos provocados pelo isolamento e pela mobilidade condicionada e que passassem pela comunicação entre dirigentes e os seus associados.

As Associações de Reformados associadas ao MURPI souberam, desde o primeiro momento, assegurar condições de proteção e de promoção do bem-estar dos seus associados, no apoio domiciliário aos utentes dos centros de dia, com o apoio abnegado dos trabalhadores e de dirigentes associativos.

A direção da Confederação MURPI e os dirigentes das suas Federações procuraram manter o funcionamento regular dos seus órgãos diretivos, promovendo à auscultação dos problemas mais sentidos pelos reformados.

O drama verificado em centenas de lares para idosos trouxe a público insuficiências e ausência de planos de contingência realistas.

Esta crise sanitária demonstrou quão precária era e continua a ser a situação social em que vivem milhares de idosos a residirem em lares legais com inúmeras carências de meios humanos e estruturais e também do elevado número de residências ilegais onde acolhem milhares de pessoas idosas a viver em situações indignas e deploráveis.

Conscientes das profundas alterações introduzidas no funcionamento da nossa vida associativa com o encerramento de centros de convívio e de centros de dia, importa neste momento equacionar a retoma das nossas atividades, procurando definir as medidas prioritárias que promovam a vida associativa em segurança.

O recurso à testagem frequente com métodos mais acessíveis é um valioso contributo para rastrear as situações de risco e colaborar no rastreamento. Esta medida associada a uma vacinação prioritária, em massa, das pessoas com mais de 70 anos de idade constitui uma forte defesa contra os efeitos mais graves da doença SARS-COV2.

Torna-se necessário e imprescindível retomar a vida associativa em moldes que, preservando as regras de segurança sanitária, promovam o desenvolvimento de atividades de são convívio, restabeleçam os contatos com os associados, retomem os ensaios dos grupos de cantares, recomeçam as atividades da prática da atividade física e desenvolvam debates de esclarecimento sobre temas atuais e a valoração dos saberes.

Para tanto, torna-se importante continuar a reivindicar junto do poder central a concessão de apoio logístico e financeiro que estimule a retoma das atividades associativas.

A defesa dos direitos dos reformados, pensionistas e idosos devem nortear a ação dos dirigentes associativos que devem promover ações que na defesa das medidas contempladas no Caderno Reivindicativo para 2021, continue a exigir:

1- O direito à saúde através da defesa do reforço do Serviço Nacional de Saúde, priorizando o rastreio, a testagem e a vacinação bem como a reabertura de todos os serviços;

2- O direito à proteção social no apoio às pessoas idosas na situação de dependência quer no domicílio quer na rede de lares;

3- O direito à valorização dos rendimentos, no combate à pobreza e também a luta pela exigência de nova legislação que garanta a atualização anual de todas as pensões.

A luta pela concretização destas medidas exige o reforço do movimento associativo a partir das Federações e pela reabertura das Associações.

Juntos somos mais fortes.